5 passos para praticar a comunicação seletiva

Duas pessoas sentadas frente a frente conversando

Você já se pegou revelando demais em uma conversa sem querer? Já se pegou falando algo que não planejava dizer? Ou ainda, já entregou um sentimento com uma expressão involuntária? Isso é porque você ainda não sabe como praticar a comunicação seletiva. 

Se você quer aprender como dosar melhor as informações que passa para as pessoas e ter conversas mais objetivas e estratégicas, continue a leitura. Neste artigo, vamos falar sobre como ser transparente demais afeta sua vida. 

Você também vai entender o que é a comunicação seletiva, além de descobrir dicas práticas para começar a se comunicar melhor nos seus relacionamentos e interações. Você está preparado? Então, vamos começar! 

O que é comunicação seletiva?

Duas mulheres sentadas conversando. A comunicação seletiva é uma habilidade social essencial atualmente.

Em primeiro lugar, precisamos entender o que significa a comunicação seletiva. Essa é uma habilidade que diz respeito a ser capaz de selecionar o que comunicar de acordo com a situação. 

Ela requer a capacidade de filtrar, selecionar e adaptar as informações de acordo com a ocasião, com o objetivo da sua conversa e com o grau de intimidade que você tem com seu interlocutor. 

Em outras palavras, comunicação seletiva significa ser capaz de escolher o que dizer, para quem dizer e por que dizer. Além disso, a comunicação seletiva significa dosar a transparência da sua interação na medida certa para suas relações serem mais satisfatórias e menos invasivas. 

Como o excesso de transparência afeta sua vida

Agora que você sabe o que é a comunicação seletiva, você pode estar se perguntando porque ser uma pessoa transparente pode afetar negativamente sua vida? Afinal, é normal pensarmos que ser transparente é um requisito básico para relações saudáveis, não é mesmo?

Mas nem sempre é assim, o excesso de transparência pode acarretar em várias consequências negativas, dentre elas a vulnerabilidade, desgaste emocional, mal-entendidos e risco de ser facilmente manipulado. 

Além disso, o excesso de transparência no ambiente de trabalho também pode prejudicar as oportunidades, afetando sua imagem profissional. Compartilhar coisas pessoais demais não é recomendável e pode limitar sua progressão. 

Portanto, é essencial encontrar um equilíbrio saudável entre a transparência como franqueza, mas nunca no sentido de dar abertura excessiva, principalmente diante de situações ou pessoas não adequadas. 

Fatores essenciais da comunicação seletiva

Bem, já que o equilíbrio é essencial para suas relações, é importante entender quais são os fatores essenciais que fazem parte da comunicação seletiva. A seguir, você vai entender quais os pilares dessa habilidade e como eles funcionam:

  • Conteúdo da conversa: o conteúdo da conversa envolve determinar as informações que são relevantes, apropriadas e necessárias para cada interação. 
  • Interlocutor: diz respeito a analisar com quem você está conversando, qual seu grau de intimidade, conhecimento sobre o outro, interesses, valores e expectativa do seu interlocutor ou do grupo da conversa.
  • Contexto: esse fator leva em conta o ambiente, a cultura e o momento em que a interação está ocorrendo. 
  • Objetivos: aqui é importante entender quais os seus objetivos nessa conversa e também qual os objetivos do seu interlocutor ou do grupo de interação.  
  • Meio de comunicação: tem a ver com a forma de expressão e saber escolher a mais adequada entre verbal, escrita, visual ou ambas. 
  • Tom e estilo: por fim, o último pilar é sobre analisar e adotar um tom de voz e um estilo de comunicação específicos para a situação e se fazer entender pela audiência. 

Vale dizer que esses pilares podem ser praticados de maneira natural, sem artificialidades. Para isso, você pode adotar o hábito de pensar antes de interagir, adotando um tempo para assimilar todas as informações e elaborar sua comunicação de maneira mais adequada. 

5 passos para praticar a comunicação seletiva

Cinco pessoas segurando cartazes numerados de 1 a 5, representando os 5 passos para comunicação seletiva.

Se você chegou até aqui, é porque já percebeu que a comunicação seletiva pode ser muito vantajosa para suas relações. Mas afinal, como praticar isso no dia a dia?

Em primeiro momento pode parecer um pouco complicado, no entanto, com um pouco de prática, essa é uma habilidade bastante simples. 

Selecionamos cinco passos essenciais para você colocar em prática hoje mesmo e começar a se comunicar de maneira mais objetiva. Siga cada tópico com atenção e dê um passo de cada vez!

1.Autoconhecimento

Você pode pensar que a comunicação seletiva diz a respeito do outro, no entanto, sem se conhecer a fundo fica mais difícil entender como se posicionar em uma conversa. Por isso, o autoconhecimento é o primeiro passo para melhorar a dose de transparência em uma conversa.

Não é tão difícil. Procure parar para pensar em coisas que você gostaria que os outros soubessem sobre você. Em seguida, questione-se sobre o motivo pelo qual gostaria de tornar essas informações conhecidas. 

Pense também se são todas as pessoas que você convive que poderiam saber sobre essas informações. Em seguida, questione-se como essas pessoas lidariam com as informações, como agiriam com você, o que fariam se soubessem destes fatos.

Nesse processo você pode descobrir várias coisas sobre você. Por exemplo, você pode descobrir que os motivos pelos quais você quer compartilhar algum acontecimento não é útil para o seu bem estar. 

Ou você pode descobrir que, se determinadas pessoas souberem sobre alguma característica sua, podem tirar algum tipo de proveito ou vantagem em alguma ocasião, usando isso contra você! 

2.Gestão emocional

O segundo passo essencial para a comunicação ativa é a gestão das emoções. Para entender melhor, é preciso saber como nosso cérebro emite sentimentos de maneira automática. 

Em primeiro lugar, não é o coração que é responsável pelo sentimento, isso é um mito! O cérebro, através dos neurônios, produz substâncias conhecidas como neurotransmissores, que por sua vez, causam sensações em nosso corpo. 

Diante de uma situação estressante, por exemplo, estamos sentindo os efeitos do cortisol, que foi emitido automaticamente pelo cérebro. Essa é uma reação primitiva e automática, mas que pode interferir diretamente na forma como você se comunica.

Por exemplo, se estiver com muita raiva de alguém, você pode se sentir motivado a falar dessa pessoa para outra pessoa em uma interação. Ou ainda, se estiver com raiva de alguém e interagir com ela, pode usar um tom de voz ou palavras que tem o objetivo de expressar essa emoção. 

Para praticar a comunicação seletiva, é importante entender que o cérebro emite substâncias automáticas, sua primeira emoção também é automática. Pare, respire, conte até dez. Embora seja clichê, essa prática te dá tempo para pensar em reações mais inteligentes e adequadas. Você consegue! 

3.Privacidade pessoal

Em pleno mundo digital e vivendo a amplitude das redes sociais, privacidade pessoal é uma coisa subestimada. No entanto, ela é o terceiro pilar essencial para praticar uma comunicação seletiva e compartilhar de maneira inteligente. 

Mesmo que você goste muito de usar as redes sociais, é importante levar em consideração que as pessoas não precisam (e nem querem) saber tudo sobre você. Aliás, se tem pessoas que querem saber demais sobre você, desconfie um pouco. 

Afinal, ao tempo em que a tecnologia evolui, continuamos tendo nossas vidas, familiares, pessoais, profissionais. Dá um trabalhão cuidar de tudo, não é mesmo? Então, será que sobra tempo para saber de tudo sobre a vida do outro? É difícil né, então se alguém quer saber demais sobre sua vida, ela não está cuidando direito da própria e provavelmente não tem intenções de cuidar bem da sua. 

Portanto, seja nas redes sociais ou em conversas no dia a dia, tire o costume de preservar sua privacidade pessoal e das pessoas que são importantes para você. Não precisa contar tudo. 

Tem um ditado que diz: “quem não pode resolver meus problemas, não precisa saber deles”. Bem, não precisa ser tão radical, afinal, é bom ter amigos confiáveis para desabafar de vez em quando, mas vale lembrar que nem todo mundo é seu amigo. 

4.Atenção a linguagem não verbal

O quarto passo é muito importante e diz respeito não só a você, mas também ao seu interlocutor ou ao grupo em que você se comunica. 

A comunicação vai muito além das palavras ditas ou escritas. A linguagem não verbal envolve gestos, tom de voz, postura e expressões faciais que complementam o que está sendo dito ou ouvido. 

Conhecer suas próprias expressões e saber como se comportar durante uma conversa é essencial para dosar a transparência em sua comunicação.

Se você é uma pessoa reativa, que ouve algo e tem expressões faciais imediatas, como franzir as sobrancelhas ou torcer o canto da boca, cuidado! Você pode estar falando sem dizer nada. 

Pratique a famosa poker face, ou seja, procure administrar melhor suas reações físicas durante uma interação. Vale lembrar que a linguagem não verbal também é afetada pelas nossas emoções, então conhecer seus sentimentos e saber geri-los é importante nesse passo.

Em contrapartida, ter mais atenção à linguagem não verbal dos seus interlocutores também é uma ótima maneira de entender quais objetivos, intenções e reações eles têm durante uma conversa. 

Isso te ajudará a decidir o que compartilhar com essas pessoas, afinal, você poderá perceber melhor onde está pisando. 

Linguagem verbal, não verbal e mista.

5.Empatia

Por último, o quinto passo não é de longe o menos importante. A empatia é essencial para as relações interpessoais e também para a comunicação seletiva. 

Isso porque ter a capacidade de se colocar no lugar da pessoa com quem você está conversando te dá mais discernimento sobre o que compartilhar com ela!

A empatia nem sempre será útil apenas para você ser bonzinho. Ela pode te dar a habilidade de perceber uma má intenção, mesmo que inconsciente. 

Com essa capacidade, você pode tomar decisões mais assertivas sobre o que a outra pessoa deseja saber, além de conseguir decidir se ela deve saber, se ela quer saber é porque ela quer saber. 

Em outras palavras, a empatia pode não só ser usada em favor das outras pessoas, mas também para sua própria defesa, evitando que você fique vulnerável ou seja manipulado. 

Comunicação seletiva: transparência na medida

Duas mulheres sentadas em uma escada com uma paisagem de outono ao fundo. Comunicação seletiva é transparência na medida certa.

Agora que você chegou até aqui, nós temos uma dica bônus para você! A transparência nas relações é sim um bônus, mas ela precisa ser praticada na medida certa e de acordo com a saúde e intenção da interação. 

Você conheceu aqui cinco passos essenciais para ser mais seletivo e usar a comunicação a seu favor. Se você é uma pessoa que costuma ser mais transparente, no começo pode ser um pouco difícil lembrar de tudo isso e praticar. 

Mas é importante dizer que você pode começar com uma dica por vez e aos poucos, ir incorporando tudo em suas relações. A grande chave para conseguir praticar tudo é não ter pressa. 

Quando alguém te faz uma pergunta, não se sinta pressionado a dar uma resposta imediata. Pare, pense, processe tudo na sua mente, desenvolva uma resposta adequada mentalmente e só então verbalize. 

Pratique o hábito de falar pausadamente, dando tempo para suas ideias se desenrolarem da melhor maneira. Além disso, esse hábito também te dá tempo de analisar o interlocutor e colocar os cinco passos da comunicação seletiva em prática. 

Seguindo essas dicas, você está pronto para desenvolver relações que sejam mais saudáveis e benéficas para você. Experimente praticar a comunicação seletiva hoje mesmo e veja como você se sentirá mais confiante e protegido em seus relacionamentos. 

Total
0
Shares
1 comment
  1. muito interessante o conceito ! vou aplicar na minha vida imediatamente ! muito obrigada por dividir seus conhecimentos com a gente !!Continua assim !Parabens!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Previous Post
duas mulheres conversando em uma mesa.

A importância da escuta ativa no dia a dia

Next Post
Jovem com as mãos na cabeça e sorrindo.

Viver presente no momento: 3 dicas para desacelerar a mente

Related Posts