Ansiedade? Veja como a ficção pode estar influenciando seu cérebro

Menino com aspecto cansado, sentado segurando um celular

Você sente que é uma pessoa que se irrita facilmente? Costuma comer sem sentir fome ou rapidamente, sem sentir o sabor dos alimentos? Você realiza ações “no automático”, sem prestar atenção aos processos envolvidos? Se você respondeu sim a uma dessas perguntas, é possível que você esteja com sintomas de ansiedade

A ansiedade pode se apresentar de diversas maneiras, dependendo da pessoa ou da situação. Cada ser humano é único, embora algumas coisas sejam mais comuns do que outras. Na agitação moderna, a ansiedade tornou-se praticamente comum, mas ao longo do tempo, essa condição pode evoluir para diagnósticos mais sérios.  

O que você pode não saber é que existem estímulos considerados comuns que podem funcionar como um combustível adicional para os quadros ansiosos. Coisas que foram criadas como lazer ou distração, se utilizadas em excesso, podem elevar inconscientemente os níveis de estresse, gerando ansiedade e todos os seus sintomas. 

Neste artigo, vamos falar sobre como estímulos sonoros e visuais podem contribuir para o aumento do cortisol no cérebro. Você vai descobrir como o cérebro humano se comporta diante de estímulos considerados divertidos ou comuns no cotidiano. 

Como o cérebro humano interpreta estímulos externos

Imagem de um cérebro iluminado e ao lado uma rede de neurônios.

Em primeiro lugar, você vai entender como o cérebro é capaz de interpretar os estímulos externos. Através dos sentidos, a poderosa máquina cerebral humana começa o que é chamado de percepção sensorial. Seja através da audição, toque, visão ou sentidos combinados, os sinais começam a ser captados.  

Em seguida, o cérebro começa a transdução, que é a conversão dos sinais em estímulos elétricos. Cada órgão sensorial tem transmissores específicos para isso, como os olhos através da retina e os ouvidos com os mecanorreceptores. Esses sinais são enviados para áreas específicas do cérebro, responsáveis pelo processamento sensorial.

Já na integração sensorial, o cérebro junta as informações recebidas e aciona o sistema de memórias e experiências. É como se fosse um banco de dados que ele usa para tirar referências e analisar os estímulos recebidos. 

Por fim, o cérebro inicia o sistema de resposta comportamental, que pode refletir no seu corpo físico, estimulando a movimentação. Um exemplo é quando você está com vontade de ir ao banheiro e ouve o barulho de água. O sistema de resposta faz você se movimentar em direção ao banheiro.

O sistema de resposta também pode ser emocional, ou seja, acionar os neurônios e iniciar a produção dos neurotransmissores específicos para gerar emoções, como alegria, tristeza, medo ou surpresa. 

Claro que você não tem como perceber toda essa movimentação cerebral, já que ela ocorre em frações de milésimos de segundos. Isso acontece de maneira automática, gerando a retroalimentação, o passo que alimenta o banco de dados do cérebro e cria referências para o futuro. 

Estímulos visuais e ansiedade

Agora que você entendeu um pouco como o cérebro recebe os estímulos, vamos falar sobre a relação entre os estímulos visuais e a ansiedade. Imagine que você está vendo uma cena triste, como um acidente automobilístico ou uma pessoa chorando. 

Através dos fotorreceptores da retina, os sinais são captados pelo seu cérebro, que inicia o processo que você viu no tópico anterior. Através do sistema empático e do sistema de memórias, os neurônios começam a produzir vários neurotransmissores, gerando emoções como tristeza e medo. 

Da mesma maneira, quando você vê um vídeo de alguém rindo muito ou de um bebê fazendo graça, o mesmo sistema aciona a produção de neurotransmissores que causam bem estar e alegria. 

Assim, é possível entender que estímulos visuais que suas experiências de vida caracterizam como negativas podem ser capazes de gerar estresse e ansiedade. Se você estiver em exposição direta com imagens negativas, existe a possibilidade de se sentir mais ansioso e triste no final do dia. 

Estímulos sonoros e ansiedade

Da mesma forma que os estímulos visuais, os estímulos sonoros também são capazes de interferir na ansiedade. Através dos transmissores da audição, ouvir uma música triste pode gerar sensação de tristeza. 

Outro exemplo prático, imagine que você está ouvindo uma criança chorar ou uma mulher gritar por socorro. Você até pode, de maneira consciente, ignorar nos primeiros segundos. No entanto, se o estímulo sonoro continuar, você será incapaz de sentir sintomas como inquietação, irritação, medo e preocupação. 

Isso porque o sistema empático acionado pelo processo de captação de estímulos é automático e age até mesmo de maneira inconsciente, mesmo que o evento estimulante não esteja acontecendo com você ou alguém querido. 

Vale lembrar que esse estímulo pode ser ainda maior se a situação estiver acontecendo diretamente com você. Da mesma maneira, se uma criança ligada a você estiver chorando ou uma pessoa próxima pedir por socorro, os estímulos também serão mais intensos. 

Como a ficção age no cérebro

Mulher empolgada diante do notebook assistindo algo.

Bem, até aqui falamos sobre como o cérebro humano recebe as informações e como ele interpreta e reage aos estímulos sonoros. Você também entendeu com exemplos práticos como isso acontece no dia a dia.

No entanto, até aqui falamos sobre estímulos reais. Será que a ficção, como filmes, músicas e vídeos de redes sociais podem ter a mesma ação no cérebro humano? 

Bem, a resposta é sim. O cérebro humano até pode discernir o que é realidade ou não, no entanto, os estímulos irão acontecer da mesma forma. Ou seja, quando você assiste um filme ou vê um vídeo na internet, os mesmos receptores são acionados e todo o processo de interpretação acontece.

A diferença é no nível consciente, as pessoas têm a capacidade de saber que aquele acontecimento não é real e, portanto, podem ter reações mais leves ou até nem ter nenhuma reação. No entanto, é conveniente lembrar que todo o processo biológico continua acontecendo e seus reflexos inconscientes também. 

Por esse motivo é que os filmes, por exemplo, costumam ter uma trilha sonora extremamente pensada para cada movimento no filme. A indústria cinematográfica tem o intuito e a expertise de envolver as emoções humanas, o que muitas vezes é visto como positivo pelos amantes do cinema. 

Estímulos de filmes e vídeos aumentam a ansiedade?

Vivemos na era digital, onde as opções de entretenimento são tantas que às vezes nem sabemos qual escolher. É muito comum, por exemplo, pessoas assistirem a vários filmes por dia enquanto rolam o feed das redes sociais. 

A pergunta que fica em relação a isso é: será que essa facilidade é saudável? Estudos indicam que o excesso de exposição às redes sociais, por exemplo, interfere negativamente na saúde mental, agravando quadros de ansiedade e doenças emocionais.

Já estímulos como cenas violentas, perturbadoras e trágicas de filmes e séries também podem ser geradores de sentimentos negativos. O maior problema é que nem sempre esses estímulos são sentidos de forma consciente, ou seja, você pode se expor a tudo isso sem perceber como está sendo afetado. 

Algumas pessoas podem ter reações muito mais sérias, como ter uma crise de pânico após assistir um filme muito assustador. Outras pessoas, porém, podem não sentir nada. Vale lembrar porém que em ambas as situações os estímulos cerebrais aconteceram e geraram a produção dos neurotransmissores relacionados, mesmo que em doses diferentes.

Portanto, é possível concluir que, a longo prazo, o excesso de exposição diária a estímulos externos, mesmo que não sejam reais, como filmes, músicas e séries, podem ser sim um fator que aumente o nível de ansiedade. 

Busque o equilíbrio, controle a ansiedade

Casal acomodado no sofá assistindo filmes.

Com tudo o que foi visto acima, é possível concluir mais uma vez o que já sabemos: o equilíbrio é essencial para ter uma qualidade de vida. Se você sente sintomas de ansiedade, mesmo que moderados, reavalie a forma como você interage com o mundo moderno.

Antigamente, não haviam tantos estímulos e as pessoas costumavam sentar na varanda para ver o pôr do sol e as crianças brincavam ao ar livre para se divertir. Para ver um filme era preciso ir ao cinema, coisa que não se fazia todos os dias. 

Parece impertinente ignorar que, com o aumento das tecnologias e exposição a estímulos externos, mesmo que fictícios, as doenças emocionais e distúrbios de ordem psicológica tenham se tornado mais comuns e frequentes. 

Vale dizer que não estamos aqui para ser radicais, ou seja, nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno. Se você gosta de filmes, séries e redes socias, nada impede que você aproveite essas atividades. No entanto, escolher os conteúdos que você consome e avaliar como você é impactado por eles pode ser muito saudável a longo prazo.

Como “esvaziar a mente” – Eslen Delanogare

Outra dica válida é buscar atividades mais leves, como praticar meditação, atividades físicas, ler um livro ou simplesmente desligar todas as luzes, tvs, celulares e dar um tempo dos estímulos externos. 

Isso pode reduzir significativamente a sua ansiedade e melhorar bastante a sua qualidade de vida. Experimente, faça um teste por uma semana. Reserve alguns minutos para silenciar tudo e depois faça uma auto análise sincera. Você pode se surpreender. 

Como o excesso de estímulos simula a depressão
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